sábado, 22 de maio de 2010

Viagem ao Intercom em Novo Hamburgo (Ou: Equilíbrio)

Cheguei de Novo Hamburgo quinta-feira. Embora não assoberbado de trabalho, como quase sempre estou sem muito tempo, portanto, dessa vez não escreverei um diário de viagem, como já estava virando costume. Contudo, vou pontuar alguns pontos que valem a pena ser pontuados (pontuar pontos que valem ser pontuados; definição ótima, hein?! hehe). Gostei muito da viagem. Gostei pois gosto do conceito de equilíbrio. Essa viagem teve isso: equilíbrio. Como disse, e escrevi creio, não vale a pena dedicar-se totalmente a nada nessa vida. O que procuro dizer é sobre a necessidade de equilíbrio e harmonia entre as diversas esferas que compõem nossa vida, ainda que este meu pensamento seja apenas teórico (aplicá-lo na prática é mais difícil). Por isso gostei dessa viagem: equilíbrio entre as diversas esferas. Tive momentos extremamente divertidos com a galera, de descontração. Também tive momentos de pura reflexão intelectual, acadêmicos.
Fomos com o ônibus da PUC, pois haviam poucos alunos da UTFPR. De 18 pessoas no ônibus, somando as duas universidades, oito delas estavam indo apresentar trabalhos. Pense na qualidade das conversas de um ambiente assim. No ônibus, depois de acabada a conversa e antes de dormir, tentei tuitar uma frase que simbolizava bastante do que estava sentindo naquele momento. Infelizmente, a mensagem deu erro (só fui perceber no dia seguinte, e portanto nem reenviei), e o tweet não foi publicado. A mensagem, ipisis literis a enviada, com suas abreviações de 160 caracteres, dizia “No bus PUC a caminho do Intercom. 5 meninas tb vão apresentar. Q delícia estar no meio d gente q produz. Agora pouco discutíamos educação. Quer coisa melhor?” Quer coisa melhor?
Era realmente como me sentia naquele momento, na viagem de ida. Passei um grande tempo discutindo com a Flávia e Giovanna, alunas de Jornalismo, sobre educação. Quem me conhece um pouquinho sabe como esse tema me atrai. Elas se interessam pela área e querem seguir na área de pesquisa sobre educomunicação. Era simplesmente delicioso discutir com elas, e as outras meninas. Também discutimos o papel do jornalismo, e tantos outros temas. Não aquele debate leigo, frágil, do senso comum, mas embasado em argumentos e teorias. Como depois, numa noite no hotel, já bebado, debatia com a Gisele, de RP, o papel do Relações Públicas na sociedade. Eu, embasado na grande Peruzzo, com uma visão mais crítica; ela, também com seus embasamentos. Felipão, ao lado, usano o hifi do notebook, escreveu num post do orkut "o Márcio está a meia hora divagando com uma menina da PUC". Era isso mesmo, e era muito bom.
Aquele era meu ambiente. Aquele é meu ambiente. É onde me sinto em casa, entre iguais.
Não estou idealizando o curso da PUC, afinal, as próprias meninas, nas conversas, criticaram muito ele. Não se pode avaliar a totalidade por aquela amostragem, assim como os outros alunos do CTCOM não podem ser avaliados a partir de mim. Aquela, ali, era um segmento, mais intelectualizado, da PUC.
Nem tanto, nem tanto também. Algumas meninas eram deliciosas para se discutir, mas também tinham outras que não. Acho que não devemos generalizar. Fiquei um tanto decepcionado com o Intercom, em si. Se ano passado já havia achado medíocre, esse ano o foi ainda mais. Acho que não é necessário citar nomes, mas me dei conta que não é por que um trabalho foi escolhido para lá, que ele é bom. Nesse sentido, fiquei decepcionado com certos alguns, que eram não tão bons. Mas toquemos em frente, pois para compensar tinham outros muito bons.
É interessante fazer um comparativo com a viagem para o Intercom Sul, em Blumenau 2009, um ano atrás. O simbolismo máximo está na viagem de ida.  Lá, todos foram pela diversão. Todos, no ônibus, bebendo e cantando as músicas mais diversas, dessas populares, funkes e talz. Bebendo muito. Dessa vez, a viagem de ida foi bem diferente, e representa esse clima diferente. Nenhuma bebida, no DVD do ônibus, músicas do Skank, e uma conversa instigante com as meninas, como já relatei. Também a viagem de volta foi boa, regada a músicas, não funkes, mas com nós lembrando e cantando músicas antigas da MPB, a verdadeira MPB, músicas de novelas, e por aí vai. Muito gostoso.
Continuando. Apresentei meu trabalho. Relativamente tranqüilo. Foi engraçado, pois, como já aprendi no CTCOM, é praxe apresentar-se de modo formal, terno e gravata, bem vestido. Assim o fui. Nos três dias do evento (dois, é verdade, pois no terceiro, que era só a premiação do expoxcom e o encerramento pela manhã, não fui) só vi uma outra pessoa vestida de terno. E isso incluindo todos os coordenadores de mesa, professores, etc e etc. Evidente, usei só durante a apresentação e logo troquei.
Também é interessante comparar meu comportamento nesse Intercom com o Intercom do ano passado. Me lembro, no último ano, fiquei até um pouco indignado, pois em certo momento fui a única pessoa da excursão a ir para o evento; todos os demais saíram para passear pela cidade, fazer compras, e por aí vai. Este, fiz o papel contrário. Fui para apresentar (e de fato, não fosse isso, provavelmente não iria). Não me interessei nem fui a nenhum outro GT (grupo de trabalho) assistir algo. Minto. Fui assistir à apresentação da Flávia no Expocom. Ela apresentou o site do Curitiba Agora. Muito bom. Merecidamente, ganhou o premio de primeiro lugar, e agora vai rumo ao Intercom nacional. Um parênteses para explicar para quem não conhece a dinâmica do Intercom. Ele é dividido em 3 áreas. O Intercom Júnior, dedicado a artigos escritos por ainda graduandos, no qual me apresentei. As divisões temáticas, que são a área nobre, por assim dizer, principal, dedicada a artigos escritos por “gente de verdade” (brincadeira que fiz uma vez, com a Adriana), os mestres, doutores, etc.  E o Expocom, que é uma espécie de mostra competitiva, a única que tem prêmios, destinada a apresentação de produtos concebidos pelas universidades. Nunca havia me interessado muito pela área do Expocom, exatamente por se referir a produtos, sendo que sou mais teórico. Ela foi apresentar o site que desenvolveram numa disciplina. E ganhou. No expocom, a etapa reginal é uma seletiva para a etapa nacional. Os vencedores, agora participarão e concorrerão no nacional. Boa sorte para ela (apesar de que isso pouco tem a ver com sorte).
Continuando. Como eu dizia, gostei especialmente dessa viagem pois houve um certo equilibrio entre as esferas da vida. Mas até agora só falei dos aspectos acadêmicos da coisa; onde está o resto? O Felipão fez uma brincadeira muito boa comigo, que achei muito engraçada, e reflete bem isso (até pedi pra ele escrever um depoimento no orkut com essa brincadeira). Diz: “Coisas que o Márcio mais fez no Intercom, em ordem decrescente: 1) Tirar fotos; 2) Roncar feito uma serralheria; 3) Passar migué nas meninas; 4) Ficar cozido na balada; 5) Dançar (as vezes até em cima da mesa); 6) Apresentar um trabalho lá.” Ou seja, fui sim apresentar um trabalho lá. Mas, segundo a percepção dos outros, isso foi o que menos fiz (e isso é muito bom). Me embebedei na balada. Dançei. Dizem (não vou reconhecer publicamente) até em cima de uma mesa (por alguns segundos somente). Conversei muito com as meninas da PUC. Tirei fotos, mas bem, bem menos que outras vezes. Essa questão das fotos é bem interessante, pois também ela teve um equilibrio. Não fiquei apenas tirando fotos, como em outras vezes que colecionei mais de mil fotos numa viagem. Tive apenas uma centena, nos quase cinco dias totais de viagem. Uma boa medida, para registrar os momentos, mas não só registrar, e sim participar deles. Tanto que, em muitos momentos, nem levei a câmera, como na última festa, por exemplo. Deixei a função de fotografar com os outros, e fui me divertir. Bebi bastante, para comemorar, pois aqueles dias mereciam ser comemorados. Comemorar a paz no Irã, medida por Lula. (infelizmente essa paz já se desfez, mas naqueles dias merecia ser comemorada). Comemorar minha apresentação. E principalmente comemorar estar entre pessoas agradáveis e amigos. Digo que só costumo beber em situações especiais. Aquela, sem dúvida, era uma situação especial, sobretudo pelas pessoas com quem confraternizava. Merecemos comemorar isso sempre. Que existam muitas outras oportunidades semelhantes a serem comemoradas. No fim, a viagem ao Intercom foi memorável, por diversos sentidos. Como na listagem feita pelo Felipão, o meu trabalho é um deles, mas não o de maior importância. A viagem foi realmente incrível pelas pessoas mavarilhosas que conheci e os momentos que vivi. Brincando com as meninas no parquinho do Habib’s, ou assistindo ao empate do Coxa com a Lusa, ao lado dos amigos, ou finalmente vencendo junto com o Felipão minha primeira partida de truco, ou dançando na balada. Memorável.

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